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15 janeiro, 2008

Retrospectiva 2005

Antes da foto e do texto uma pequena observação: Ambos foram retirados do meu falecido fotolog - http://www.fotolog.com/gabriellage - Por motivos desconhecidos por mim mesmo, acho que gosto da foto, ou do texto, ou da época, resolvi republicá-los aqui. Claro que revisei o texto, em praticamente três anos finalmente aprendi alguma coisa sobre redação. Na verdade é apenas um empurrão para que o texto que está preso em algum lugar obscuro da minha mente saia com mais facilidade.


Durante o último ano na faculdade me envolvi em um projeto de uma ONG que consistia em dar aulas de português em escolas de comunidades carentes. No meu caso era o Colégio Ester Bandeira Coelho, que fica em uma rua não pavimentada, cujo nome eu não sei até hoje, que tem acesso à Avenida Júlio César. Dei aulas durante oito manhãs de sábado, e o que era "engraçado" é que, para chegar à escola, era necessário passar por cima de um canal. No primeiro dia achei bastante estranho não ter nenhum meio aparente de atravessar o dito cujo, até que vi alguém passando por cima de uma "ponte", que não passava de uma barra de concreto com uns 40 centímetros de largura no máximo, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, respirei fundo e encarei. Apesar das, aproximadamente, dezesseis vezes que tive que ir e voltar por cima do canal, nunca o fiz com total confiança, certa vez cheguei até a sonhar que caía da maldita “ponte”. Dessa época só guardei a vontade de um dia chegar a ser professor de qualquer coisa que não seja português, e o alívio de não ter que passar por cima da “ponte” nunca mais.

04 janeiro, 2008

É bom... mas é melhor ainda...

É bom viver um dia livre, sem grandes expectativas. Melhor ainda é a sensação de cansaço, do dever cumprido.
É bom ter um pouco de luxo. Melhor ainda é viver de forma simples, quase ordinária.
É bom ter a expectativa de uma nova paixão. Melhor ainda é quando os acontecimentos superam qualquer expectativa.
É bom fazer planos. Melhor ainda é não saber do dia de amanhã e se sentir extraordinariamente bem com isso.
É bom saber que a felicidade esta do outro lado da porta. Melhor ainda é saber que ela espera pacientemente que a porta seja destrancada.
É bom ter fé. Melhor ainda é a certeza de que uma força maior atua sobre nós, mesmo sem entender muito bem como isso funciona.
É bom voltar para casa. Melhor ainda é ver a cidade em que se nasceu bem pequenina, lá longe, e vê-la ir crescendo aos poucos, conforme o avião se aproxima.
É bom, às vezes, olhar em volta e se ver sozinho. Melhor ainda é fechar os olhos e saber que em pouco tempo se vai estar entre os seus.
É bom se sentir feliz. Melhor ainda é se sentir feliz, sem se importar com um sol escaldante sobre cabeça.
É bom fazer planos para o novo ano que começa. Melhor ainda é saber que as mudanças planejadas para ele poderiam ter sido executadas em qualquer hora, qualquer dia, qualquer época.

01 dezembro, 2007

Por favor *

Por favor, não me deixe ficar velho. Não me deixe ficar doente, e menos ainda estúpido. Não deixe o cotidiano, a rotina e a mesmice do dia-a-dia me tirarem a coragem, a criatividade e a ousadia.

Faça com que o tempo me torne ainda mais desperto. Não embace minha memória e nem atrase meu pensamento.

Por favor, não me faça ficar só. Cuide dos meus amigos e dos meus amores, faça com que os primeiros nunca me deixem e com que os segundos nunca parem de entrar e sair da minha vida.

Faça-me cada vez mais bravo. Para que eu possa enfrentar os obstáculos que me aparecem e vencer todas as batalhas que preciso travar, principalmente as internas, contra mim mesmo.

Por favor, faça-me, um dia, entender a beleza de olhar para a lua. Se possível for, faça com que eu consiga isto ao lado da mesma pessoa por muito tempo.

Eu sei que é difícil, mas faça com que as pessoas não percam seu colorido tão rápido quanto elas têm perdido.

E, por favor, não me deixe ficar velho.

* Inspirado em: Warren Zevon - Don't let us get sick

16 maio, 2007

Esperanças

Todo mundo espera alguma coisa. Muitos esperam tempos melhores, aumentos salariais, boas novas... ter menos azar, ter mais sorte. Boa sorte no jogo, boa sorte no amor, boa sorte na vida. Ônibus, aviões, carros, família, amigos, amores, amantes, pessoas especiais... Ter mais dinheiro, mais disposição, mais saúde, mais energia, mais vontade, ter mais tempo... alguns esperam enganar a morte e outros a esperam placidamente. Amor, paixão, amizade, compreensão, cumplicidade, carinho, lealdade... poucos esperam a felicidade. Muitos, inutilmente, a perseguem. Voltar para casa, sair de casa, sair e voltar, voltar e sair e voltar de novo. Esquecer o passado, viver o presente e planejar o futuro. Eu espero, tu esperas, ele espera, nós esperamos, vós esperais, eles esperam. Todo mundo espera alguma coisa, e você, ta esperando o que?

08 maio, 2007

Amor em tempos de Papa



É de conhecimento público que a beleza feminina não escapa dos olhos de nenhum homem que se preze. O cidadão pode ter 95 anos, mas se cruza com um belo exemplar do sexo feminino na rua pode crer que, pelo menos em pensamento, ele dirá “ê lá em casa!”.

Aproveitando a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, sugiro que mudemos a forma de expressar o contentamento ao avistar esses seres, que podem não fazer a existência humana mais descomplicada e tranqüila, mas pelo menos a fazem mais bonita.

Seja você advogado, professor, entregador de panfletos hare krishna ou atendente do Mcdonalds, solte o seu pedreiro interior e troque o “gostosa!” de cada dia pelas sugestões abaixo. Heresia pouca é bobagem.

Comecemos com o básico: você está caminhando despreocupadamente quando surge em seu caminho uma bela moça do tipo mignon. Não é nada de parar o trânsito, mas só para não passar em branco solte um “Nossa Senhora”. Dependendo da mignonzice da pequena você ainda pode emendar um “de Aparecida, do Perpétuo Socorro, de Nazaré...” o nome da santa pode variar de região em região ou dependendo da devoção do filho de Deus.

Outra situação: meio dia na fila do banco, você pensou que chegando na hora do almoço conseguiria pagar mais rápido aquela conta atrasada e ainda ter tempo para comer alguma coisa antes de voltar ao trabalho. Mas acontece que outros quarenta infelizes tiveram a mesma idéia, e para completar não param de chegar aqueles velhinhos, cujo único prazer que lhes restou na vida foi passar na frente dos outros. De repente, da mesa que fica no canto mais distante da sala, se levanta a gerente que, pelos seus cálculos, deve ter aproximadamente 1,75 só de pernas, trajando aquelas saias que terminam no exato ponto em que seu pensamento começa. Ignore as pontadas de fome no seu estomago e mande logo um sonoro “Deus seja louvado”.

Academia, um lugar onde as mulheres usam roupas mais justas que o julgamento do Divino. Você, meio a contragosto, está tentando entrar na moda do corpo sarado, sabe que está num ambiente semelhante a uma loja de ternos da Armani: é tudo muito bonito, mas é só pra olhar. Como olhar ainda não é pecado você olha mesmo, bicicletas ergométricas, esteiras, aparelhos de musculação, as beldades estão por todos os lados exercitando seus músculos femorais, abdominais e peitorais (tentativa de trocadilho infame, mas não é que existe mesmo a denominação músculos peitorais?). Até que surge aquela professora de spinning, que é uma mistura de Cicarelli com Piovani e mais uma pitada de Hickmann. Você, embasbacado, quase deixa os alteres caírem no chão ao exclamar: “Ai meu Padre Cícero” ou “Ai meu Padim Ciço” caso seja realmente conterrâneo do Didi Mocó.

Enfim, existem milhares de outros exemplos que podem ser utilizados para elogiar essas mulheres que nem sempre se chamam Maria, mas que são cheias de graça. Eu vou parar por aqui, pois minha criação católica já me faz este texto pesar na consciência. Pelo menos não fui eu quem falou que se Deus inventou alguma coisa melhor que mulher, guardou para si. Esse sim vai arder no mármore dos infernos.

Amém.

07 março, 2007

Encontros e Desencontros

Certa vez, um cara conhecido como poetinha disse que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Provavelmente essa deve ser uma das citações românticas mais repetidas em correntes via e-mail, perfis de orkut e nicks no MSN. Não tenho dúvidas que até antes de toda essa parafernália cibernética se tornar tão comum no nosso dia-a-dia os amantes e amados trocavam cartinhas, bilhetinhos, declarações em geral onde a tal frase se fazia presente. Foi repetida a tal ponto que deve ter ser tornado chavão, clichê ou frase feita. Mas não para mim.

A vida é sim a arte do encontro e do desencontro, infelizmente muita gente passa desapercebida diante da beleza disso. É claro que as vezes precisamos chorar nossos desencontros, mas nem a mais dolorosa sensação da partida do ser amado consegue ser maior do que a sensação do encontro. Não estou falando do primeiro encontro de duas pessoas, onde pode acontecer somente um tímido aperto de mãos ou duas horas de selvageria num quarto escuro, mas sim daquela sensação de ter encontrado realmente alguém que vale a pena ficar remoendo na memória cada frase dita, cada olhar e cada sorriso.

Ciumento que sou, devo ter repetido como um mantra milhões de vezes em todos os meus relacionamentos a frase fantasticamente elaborada por Vinicius de Moraes. Para poder entender que ninguém é dono de ninguém e que as pessoas vêm e vão, se conhecem, se amam e eventualmente partem para outra. Felizmente há algum tempo consegui compreender que a felicidade de um beijo e a tristeza de um último olhar são igualmente belos e são momentos únicos na vida de quem se permite encontrar e desencontrar.

Vinicius, do alto de sua sapiência, sabia muito bem do que estava falando. Ele que deve ter amado e desamado, sorrido e sofrido, encontrado e desencontrado muitas vezes nessa vida nos deixou um ensinamento e tanto. O amor não deve ser banalizado, porém ninguém merece carregar por muito tempo um sorriso amarelo no rosto e um tom azulado na alma por causa da tristeza de um rompimento, a vida é curta e não pára pra esperar ninguém enxugar suas lágrimas e mágoas. Vinicius conseguiu entender isso e sabia que toda a felicidade do mundo estava nesta compreensão.

21 agosto, 2006

Poeminhas e breguices do gênero

Nunca gostei de pessoas que fazem acrósticos com os nomes de outras e acham isso bonito. Outra coisa cafona pra caramba são aqueles poeminhas que rimam os nomes com outras palavras, por exemplo: "Gabriel, cara de pastel" ou "Thais, que bonito é o seu nariz", rima pobre é o fim.
Pior ainda é se essas barbaridades forem utilizadas em cartinhas de amor, o garotinho vai todo feliz e entrega um papelzinho todo borrado, resultado de horas de queima de neurônios, pra garotinha, que já faz uma cara de medo mas lê mesmo assim:
Lúcia, você é:
Linda
Única
Companheira
Inteligente
Apaixonante
ou
Lúcia, seu sorriso é tão belo quanto o mar da Prússia.
Após a leitura, a garotinha sem nem saber se o mar da Prússia é realmente belo ou pelo menos se ele existe de fato, não tem nada na cabeça, que não seja um "vá a merda", para dizer para o garotinho, resolve dar um sorrizinho e ir embora. O garotinho não entende o que se passou e faz uma cara de "sou um gênio incompreendido", vai repetir a mesma estratégia pelos próximos 20 anos e não vai pegar ninguém até que uma de suas vítimas tenha o bom senso de chamá-lo de rídiculo.
Mas por que este post?
Recentemente alguém veio a este blog procurando por palavras que rimam com Amanda, e tenho certeza que é para escrever um nefasto poeminha do tipo que foi citado anteriormente. Meu conselho é: desista! você viu o que aconteceu com o garotinho! Além de você ter um trabalhão, porque Amanda é um maldito nome díficil que só para achar uma rima decente, ela provavelmente rirá da sua cara e você não pegará ninguém durante anos.
Mas se quiser insistir aqui vai minha contribuição:
Amanda, Oh Amanda, suas olheiras me lembram a cara de um urso panda.

07 março, 2006

o avião, patrão, o avião!

Praticamente em todas as férias escolares durante minha infância, eu viajava com minha familia, normalmente iamos pro Rio de Janeiro, São Paulo, Canela (no Rio Grande do Sul) e fomos algumas vezes pros E.U.A.O ponto é que, até quando eu tinha mais ou menos uns quatorze anos, não conseguia entender porque as pessoas tinham tanto medo de viajar de avião, acho que isso se deve em grande parte ao meu pai que dizia gostar quando o avião balançava, então eu, pequena criança sem noção, fazia a maior festa quando acorria alguma turbulência enquanto minha mãe e minha avó se agarravam aos braços das poltronas.
A partir daí, não sei o que houve, talvez culpa do surgimento da maturidade ou dos malditos filmes com sequestros, acidentes e defeitos (ou tudo isso junto) em aviões que foram produzidos aos quilos nos anos 90, comecei a ter um certo pavor só de pensar em entrar em um avião, mas mesmo assim continuava viajando, muito a contragosto, com minha familia.
Então surgiu essa idéia de vir estudar em SP, beleza, só iria precisar pegar um avião para vir e outro para voltar em dezembro, só duas viagens em um ano, daria pra aguentar. Só que, no carnaval, meu pai me perguntou se eu não gostaria de passar uns dias em Belém, ia ter que entrar num avião duas vezes a mais do que havia planejado, mas não pensei duas vezes e disse que sim. E nem foi tão ruim assim, houveram pequenas turbulências durante os vôos, mas nada que me fizesse pensar que aquilo não valia a pena.
Em julho terei férias do curso e nunca imaginei que haveria um dia em que eu mal poderia esperar pela próxima vez de entrar em um avião, claro que não vou torcer por turbulências ou coisa parecida, só estarei feliz por rever, depois de poucos mas longos meses, minha cidade que tanto me faz falta e as pessoas que amo.

03 março, 2006

Vontades...

A vontade que eu tenho quando estou em um lugar fechado e alguém começa a falar alto no celular é de dar um tapa pro aparelho voar longe e depois dar um soco bem no meio do nariz da pessoa.

21 abril, 2005

Os Vencedores.

Acabei de ver por inteiro o DVD "Los Hermanos no Cine Íris" e tenho certeza que posso dizer que sem dúvidas essa é a melhor banda brasileira da atualidade. Tanto no show quanto no "filme" que mostra a banda em ensaios, é explicita a humildade, competência e coerência dos quatro e de todos os músicos de apoio. A capacidade do Marcelo Camelo e do Rodrigo Amarante em fazer letras lindas e ao mesmo tempo simples chega a assustar, é uma pena que, pelo o que parece, esse Fest Rock que vai acontecer por aqui tá mais pra Yamada Tim Festival 2, quase as mesmas bandas, e nem sinal de Los Hermanos ou outros grupos e cantores solo que enveredam pelo mesmo caminho.

Mas voltando ao DVD, já é um fato notável que, em um país onde fazer sucesso com músicas recheadas de palavrões ou sem mensagem alguma é extremamente fácil, desde que se pague o velho "jabá" para as rádios que se denominam "do Brasil" ou até fazendo comercial de refrigerante, bandas como os Los Hermanos consigam lotar uma casa de shows. Parabéns pra eles e pra todo o povo que conseguiu um espacinho pra ver aquele show perfeito.